Hello, crianças, CHEGUEIIIIIIIII!

Você deve estar se perguntando: Ué, mas não teve um texto seu um dia desses? Não importa, TÔ AQUI DE NOVO!

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Tava aqui trabalhany e pensany em qual seria meu próximo tema desta semana… e não cheguei a conclusão nenhuma. Então tive a brilhante idéia de assistir minha série favorita (Outlander). Escolhi a temporada mais impactante (primeira) e selecionei o episódio que mais amo…

Se pensou que o meu episódio favorito é aquele do casamento, em quem Jamie e Claire vão de casados por conveniência para casal apaixonadinho…

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PENSOU ERRADÍSSIMO!!!!!

Okay, precisa saber algo sobre mim: Eu não só sou a rainha da cultura inútil, como sou a Drama Queen em pessoa! Isso significa que meus episódios favoritos são sempre aqueles que tem drama, choro, barraco, confusão, gritaria!!!! São sempre aqueles em que você quer entrar na tv, que você grita com os personagens, mas que no final você não sabe se está respirando ou como seu coração ainda está batendo.

Se pensou que meu episódio favorito é A Prisão de Wentworth (1×15) ou Salvar a Alma de um Homem (1×16), saiba também que não sou tão masoquista assim.

Noix gosta de sofrimento, mas é um sofrimento controlado, né assim também não!

Chega de enrolação, meu episódio favorito da 1a temporada se chama:

A Marca do Diabo (1×11)

Meu Deus! Acontece tanta coisa, que acho que quando chega ao final, nem percebo que estou em posição fetal. Quero dizer: IRIAM CONDENA-LA! A MULHER FOI PRESA E OLHA QUE ELA AJUDAVA TODO MUNDO! A PESSOA NÃO PODIA NEM CONHECER UMAS ERVAS, QUE PATIFARIA DESSE POVO! E JAMIE, MEU DEUS! QUASE SURTÔ, E DEPOIS? ELE LEVOU ELA! LEVOU ELA PARA AS PEDRAS, VIADOOO! NÃO SEI LIDAR COM ISSO NÃO. NÃO ANTES DE SE DESPEDIR, FOI TÃO LINDO! JAMIE USANDO HABILIDADES MANUAIS PARA…

FOCO!

Fiquei aqui pensando, se eu tivesse atravessado as pedras, em qualquer período antes do séc. XIX, será que eu iria ter o mesmo destino de Claire e ser julgada por Bruxaria?

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Estagiáriaaaaaaa, me traz o café, vamos ao texto de hoje.

Tema: “WITCH, I AM.”

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Tudo bem, Claire foi vítima de um infortúnio: ela casou com Jamie e Laoghaire a queria fora do caminho, mas convenhamos, se ela não fosse casada com o sobrinho do Laird, uma hora isso iria acontecer. Há uma dualidade entre o que a medicina e o conhecimento representavam há alguns séculos atrás. Dependendo do momento, poderia ser uma benção ou uma sentença. Fora suas atitudes, que poderiam ser consideradas ousadas demais para época. No texto anterior, citei alguns comportamentos que poderiam ser condenatórios a uma mulher, mas a pergunta é:

De onde surgiu o conceito de que esses comportamentos eram uma comprovação da existência de bruxas?

Precisamos de um círculo de pedras aqui – ou uma cabine telefônica – para voltar ao ano de 1487, quando o Clérigo alemão Heinrich Kramer escreveu um livro para sua “conclusão de curso”, em latim Malleus Maleficarum – cuja tradução literal significa “O Martelo das Bruxas”- e tinha como função exaltar a misoginia e catalogar uma série de características físicas e comportamentais que determinavam se uma pessoa seria considerada bruxa. Apesar de não ter feito tanto sucesso com seus professores, a obra foi replicada inúmeras vezes durante os séculos que se seguiram.

Não vamos entrar no aspecto religioso aqui. Até porque se tornaria enfadonho e cansativo a quantidade de pensamentos ultrapassados. Basta dizer que as idéias do Padre Bain eram as mais comuns: a mulher era a responsável pelo pecado e por isso não poderia ser considerado um ser humano digno. As mulheres precisavam de purificação, já que, se o pecado entrou através de uma, isso as categorizava como fracas, deixando-as assim, mais propensas ao Diabo, que poderia – em teoria – entrar mais facilmente, tornando-as a verdadeira personificação do instrumento do capeta. Para julgar estes seres sem alma e enviados do THE MONIO, foi instaurado o Tribunal da Inquisição, para condenar e avaliar os “atos” de bruxaria.

Mas você pode se perguntar: o que determinava que uma pessoa – em sua maioria esmagadora, mulheres – fosse considerada uma bruxa?

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Senta. Respira. Não pira. Ou pelo menos tente! Pega um café, um chá de camomila ou uma cachaça.

Tá confortável? Aqui vai a lista:

  • Ser Mulher
  • Ser considerada muito feia
  • Ser considerada muito bonita
  • Gostar muito de animais
  • Não gostar de animais ou eles não gostarem de você
  • Tocar numa carcaça de porco
  • Gostar da Natureza
  • Ser casada e ser MUITO fértil
  • Ser casada e NÃO ser fértil
  • Ser muito velha
  • Ser muito jovem
  • Ser parteira, enfermeira
  • Ter relações sexuais com alguém que não fosse seu marido
  • Ter alguma deficiência
  • Ter marca de nascença
  • Não ter marca alguma
  • Falar palavrão
  • Reclamar
  • Relatar sonhos – considerado adivinhação
  • Ser irritadiça
  • Ser estuprada
  • Conhecer plantas
  • Se laticínios estragassem perto de você
  • Ser pobre
  • Ter muitas amigas
  • Discutir com frequência
  • Ter qualquer tipo de retardamento
  • Falta de memória

Né por nada não, mas eu estaria na fogueira sem nem piscar e nem cheguei na metade dos “itens”. A verdade é que qualquer coisa era motivo para ser considerada pagã. Bastava um vento passar por você de forma diferente ou um gato preto gostar de você. Mas a verdade é que a desculpa pra assassinar ia do quão conveniente era a acusação. Você poderia ser morta se um padre sentisse atração por você, já que ela – segundo os próprios – tinha o útero, o que dava a ela o dom de copular e por isso, copulava com demônios e aquele que era atraído por ela estava caindo nas armadilhas do diabo.

Se ousasse em ter conhecimento, era provável que começasse a questionar como as coisas funcionavam e mulheres questionadoras certamente tinham sido beijadas por demônios enquanto dormiam. Há uma interminável lista de justificativas injustificáveis que levavam as pessoas a serem humilhadas e torturadas por dias – em sua maioria, induzidas a admitir que tiveram sim relações com o mal, que foram sim escolhidas e serviam para o propósito do satã.

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Se pararmos para observar quantas pessoas foram mortas simplesmente pelo fato de que a religião determinava e a superstição sentenciava, entendemos que um dos piores males da humanidade se chama ignorância. O que não poderia ser entendido ou explicado, precisava necessariamente ser condenado.

E se um gato passando por você fosse apenas o momento em que você se encontrava no trajeto dele? E se você tivesse habilidade com as plantas por ser curiosa? E se o ato de trazer crianças ao mundo fosse apenas um trabalho como outro qualquer? E se você achasse a natureza encantadora e quisesse celebrar a vida?

Quando paramos para pensar no que era condenatória há séculos atrás, nos parece tão bárbaro e ultrajante, mas não nos damos conta das barbares diárias a nossa volta. Deveria uma pessoa ser condenada por suas crenças? Por suas características físicas? Pelo tom de sua pele? Pelos gostos? Pela forma como celebra a vida? Pelas escolhas que faz? Por nascer do jeito que é?

Seja um ser humano consciente de suas escolhas, de sua beleza única, entenda que pode e deve relaciona com quem bem entender, gostar ou não de animais, querer ou não ter filhos. De preferência buscando o conhecimento, entendendo seu lugar no mundo, sendo recatado ou rebelde, falando ou não palavrão independente de idade. Dê valor a vida do jeito que ela é, entendendo que, da mesma forma que você escolhe ser quem é, o outro também escolhe e ninguém precisa ser condenado por isso. Já tivemos julgamentos demais e muito sangue derramado.

Se olharmos para o passado, seriamos todas bruxas e hoje, se olharmos para o presente, o que nós somos?

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