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Assim que terminei de assistir “Ford vs. Ferrari” lembrei de um poema de Fernando Pessoa, através do heterônimo de Álvaro de Campos, que fala sobre o que carregamos no coração. 



“Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.”
(Álvaro de Campos – Fernando Pessoa)

Está enganada aquela que pensa que este é um filme sobre velocidade, carros e corridas. O longa de James Mangold pretende ser muito mais do que isso, porque quando os créditos começam a subir na tela você percebe que em todo momento a intenção foi dizer isto: dedicar seu coração ao que acredita. 

O coração de Carroll Shelby estava no mundo do automobilismo, o de Ken Milles dentro dos carros, o de Mollie Milles junto a sua família, o do pequeno Peter com o seu pai, e o de Henry Ford II nos negócios. Interessante perceber que a reconstituição da história está ali, a corrida de Le Mans é lendária (muito bem retratada, por sinal), mas ela é só pano de fundo.

Chega de parte poética e vamos falar da produção!

E o que eu tenho a dizer é: QUE FILME DIVERTIDO! Sério! Não tem erro, pode pagar o ingresso, sentar na poltrona e se preparar para um filme que te deixa ligada (o) o tempo todo. Não importa que você não conheça de carros e corridas, sei que você está ali principalmente por nossa querida Dora, mas a experiência acaba sendo ótima.

Para quem ainda desconhece a história, “Ford vs. Ferrari” conta sobre o engenheiro de carros Carroll Shelby e o piloto Ken Miles, que lutam contra a interferência corporativa, as leis da física e seus próprios demônios pessoais para construir um carro de corrida revolucionário para a Ford, e desafiar a Ferrari nas 24 horas de Le Mans em 1966.

Os nomes de Matt Damon e Christian Bale podem estampar os pôsteres, mas precisamos falar sobre Dora… Que atriz! Caitriona Balfe revoluciona as personagens femininas que são “esposas de um grande cara”. Você já viu filmes assim, em que há sempre uma esposa para sustentar e motivar o marido a conseguir alguma coisa. Contudo, ela dá uma nova interpretação a este tipo de personagem. 

Caitriona Balfe arrasando como Mollie Miles.

Sua Mollie é muito profunda, a sua motivação é o amor, mas demonstra isso de forma racional e verdadeira, sem ser piegas. A cena do carro é SENSACIONAL! Um grande passeio de emoções. Mollie está ali para Ken, para Peter, para os carros e para a vida. Você pode até tentar, mas não vai reconhecer nada de Claire ali, elas são completamente diferentes. 

Bale e Damon também estão maravilhosos e são muito bem dirigidos por Mangold. Enquanto o primeiro faz um tipo bonachão e cheio de humor, o segundo tem dramas pessoais bem mais intensos. Interessante o foco na amizade dos dois, o quanto se respeitam e amam os carros. Ambos estão inscritos para disputar uma vaga entre os indicados ao Oscar.

Destaque ainda para a parte técnica do filme, afinal, houve todo um trabalho de recriação da década de 60 e das corridas de automóveis. A base para tudo está na edição, os cortes rápidos fazem com que a emoção esteja sempre em alta potência. Direção de arte, figurinos e fotografia também dão conta do recado com bastante qualidade.

Mas eu duvido você sair do cinema sem se maravilhar com a trilha sonora! Olhe para os lados durante o filme, as pessoas no cinema vão estar dançando nas suas poltronas. As canções te preparam para sentar também no cockpit e pisar no acelerador. Vamos ficar ligadas, porque a produção vem para o Oscar! Real e oficial!

Quer uma dica para o fim de semana? Vá assistir “Ford vs. Ferrari”, não tem erro. Quando você entende e tem certeza sobre o que ama, esse sentimento vai ser o propulsor para que realize coisas inimagináveis. O quanto você se dedica por aquilo que te faz feliz? Chegou a hora de você focar a sua vida no que realmente tem valor.

Autora: Juliana Leão

Mídias: Catarina Balfe

Revisão (português): Bianca Cuglovici

Montagem: Thaís Belluzzo

SM: Thaís Belluzzo


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