Hello crianças, como vão? I’m back!

Eu sei, às vezes demoro a voltar, mas eu sempre volto para vocês!

Hoje, infelizmente, não estou tão bem-humorada e o assunto que escolhi tratar é, pelo menos para mim, um tanto delicado. Tendo em vista os últimos acontecimentos, achei que tinha a obrigação de tomar um pouquinho o tempo de vocês e conversar.

Tenho notado um comportamento relativamente recorrente e que me deixou um tanto alarmada. Então busquei escrever algo que trouxesse reflexão, porque acho que o questionamento traz mudanças.

Confesso que fico muito facilmente impressionada com a capacidade que pessoas têm de achar que, por estar na internet, tudo é permitido. Então, nada melhor do que se colocar no papel de alguém para que o entendimento seja mais fácil.

Imagine o seguinte:

Você é um(a) corretor(a) de imóveis, relativamente bem-sucedido(a). Faz excelentes vendas, tem excelentes clientes, é acessível, sempre fez questão de dar atenção a todos, concernente ao seu trabalho.

Um belo dia, você recebe em sua conta pessoal de uma rede social um comentário que mais parece um livro, no qual a pessoa discrimina tudo o que considera como suas incompetências. A pessoa também usa palavras de baixo calão para te humilhar, te xingar, expressando toda raiva que sente por você.

Como se não bastasse tudo isso, a pessoa ainda o(a) acusa de ter um comportamento inadequado com pessoas que ama e que fazem parte de sua vida. Veja bem, VOCÊ NUNCA VIU ESSA PESSOA NA VIDA e não sabe o que fez para que ela deseje destilar ódio crescente de forma gratuita publicamente.

Como você se sentiria? O que você faria? No que pensaria?

Então vamos ao tema de hoje: precisamos falar sobre CAITRIONA BALFE.

Caitriona Mary Balfe, 38 (até o momento que esse post foi escrito), Cait para os íntimos, Claire Fraser para os fãs de Outlander. Cremosa, Dora, Catarina – como é carinhosamente chamada por nós. Amada. Infelizmente não por todos.

Se você não é uma pessoa que acompanha muito o que acontece nas redes sociais ou se não nos segue para saber das novidades (um crime, diga-se de passagem), talvez não tenha entendido bem sobre o que estou me referindo.

Há algumas semanas, uma pessoa resolveu atacar Caitriona na então publicação mais recente de sua conta pública no instagram.

Eu poderia ter escolhido apagar o nome do usuário. Não vou. Pessoas precisam entender que na internet também há consequências para os seus atos. Não foi à toa que James Gunn foi demitido da Disney por registros inapropriados, com piadas pesadas sobre pedofilia e estupro.

Eu poderia também ignorar todo o conteúdo da mensagem, considerando que ódio pelo ódio não leva a lugar algum. Mas eu também não vou. Optei por falar sobre a acusada de atos tão hediondos, segundo Evie Hunter 777, para que possamos entender que não se trata apenas de um comentário.

O buraco aqui é bem mais embaixo.

Usarei Evie como base sim, mas isso vai muito além dela. Vamos considerar alguns pontos, talvez torne as coisas mais claras. Começando pelo primeiro deles:

Comunicação

Se você está chegando agora, não está familiarizado ainda, veio de outro fandom, ou simplesmente não tinha muita habilidade para uso de redes sociais antes, talvez não saiba, mas as pessoas envolvidas com Outlander – equipe, elenco, produtores e inclusive autora – tem como característica a comunicação DIRETA com seus fãs.

Acredite, você não vai achar outro show com tamanho cuidado. Isso é bom porque aproxima as pessoas do seu show, escritor, produtor, ator – e/ou atriz – favorito. Mas também abre um precedente para uma minoria que sempre acha que as coisas tem que ser do jeito dele(a).

Caitriona, cujo comportamento é semelhante ao de seus colegas de trabalho, é muito atenta ao que é dito sobre tudo que a envolve. Ela se dá ao trabalho de acompanhar, ler, curtir, comentar e compartilhar coisas que acha relevante.

Acontece que, quando você dá abertura para comunicação, você deve explicações para pessoas, certo? Errado!

Algumas pessoas confundem “comunicar-se” com “prestar contas”. É uma minoria, já que boa parte das pessoas que a acompanham são respeitosas. Mas essa minoria faz barulho. Quer ver um exemplo?

No dia 05 de julho – último dia de gravação da quarta temporada de Outlander – Cait e Sam resolveram pedir no twitter perguntas para que fizessem um ao outro, mas acabaram não respondendo.

Perceba que foram AMBOS, mas ninguém argumentou de forma agressiva o fato de Sam não ter respondido. O mesmo não aconteceu com Caitriona, que recebeu comentários odiosos – o de Evie Hunter 777 foi um deles.

Eis aqui alguns questionamentos:

Você sabe o motivo pelo qual ELES não responderam? Não? Já parou para pensar?

Eles poderiam ter ido trabalhar, concluir suas cenas; resolveram comemorar o fim de uma temporada exaustiva; os produtores acharam melhor que não respondessem; ou simplesmente não estavam a fim quem nunca?.

São tantas possibilidades, mas sejamos honestos: ELES NÃO SÃO OBRIGADOS A NADA.  Ou pelo menos não deveriam ser. Eles não tinham obrigação alguma de responder ninguém.

É um comportamento incomum, já que são muito atenciosos com seus seguidores, mas já houve casos deles expressarem que fariam um Q&A (sigla para Perguntas e Respostas) e acabar não acontecendo. Se você não sabe das circunstâncias, por que julgar?

Assédio

Um argumento recorrente – que também fora utilizado por Evie  Hunter 777 – é que Sam Heughan, 38, loiro, alto, forte E INTELIGENTE, é inocente demais para não perceber que cai nas garras da maquiavélica Catarina. Sim, existe um grupo de pessoas que REALMENTE acredita que Sam é assediado POR CAITRIONA BALFE.

Olha, um conselho? Não sei se vale de alguma coisa, mas quando estiverem num diálogo, um monólogo ou numa discussão, sugiro PRIMEIRAMENTE SABER O CONCEITO DAS PALAVRAS QUE FOR USAR.

Acredite, quando você tem pleno conhecimento do que está falando, torna as coisas muito mais fáceis e fluidas. Se você não sabe o conceito da palavra assédio, não tem problema algum – até porque ninguém nasce sabendo tudo – mas antes de usá-la, por favor, procure saber o que de fato significa, onde e como o termo se aplica.

O google tá aí para facilitar a vida de muita gente. Quanto a Sam, se quer entender sobre o assédio que ele sofre – porque, sim, ele sofre – com relato do mesmo E DA COMPANHEIRA E AMIGA ÍNTIMA, eu tenho o texto perfeito para você.

Modelo

Evie Hunter 777 foi bem explícita ao chamar Caitriona de “Modelo B”. Deixa eu te explicar, caso você não saiba ou tenha dúvida, quem é Caitriona Balfe no mundo da moda:

Principal e mais renomada de seu país, na lista das 20 melhores modelos do mundo, requisitada por várias grifes e, depois de quase 10 anos fora das passarelas, ela vai a desfiles e senta na primeira fileira.

Como se não bastasse, teve e tem a coragem de falar abertamente sobre os problemas da vida de uma modelo antes e depois de sair do meio. Tem muito respeito por tudo que aprendeu e credibilidade o suficiente para usar roupas que acabaram de sair das passarelas, literalmente.

Diferente de muitas atrizes que, em períodos de premiação, precisam escolher seus vestidos com meses de antecedências para que nada saia do controle, “a modelo e atriz Brecebe 3 modelos do estilista para que a própria faça a composição que preferir. Então, antes de criticar por ela não saber qual vestido irá usar ou por não ter escolhido ainda, sendo que várias atrizes já sabem, entenda o seguinte: ELA NÃO É TODO MUNDO.

Indicação de artigo.

Opinião

Eis aqui uma mulher da atualidade que utiliza a voz para o que acha correto e apoia as causas nas quais se identifica. Há algum mal nisso? Para algumas pessoas, sim! Mas é algo a se pensar: você não precisa ter câncer para usar seu nome e arrecadar fundos para uma instituição cujo intuito é pagar por exames, medicações e tratamento para quem tem a doença, não é mesmo? Já recebeu alguma ligação de Eva Longoria perguntando se gostaria de participar de um movimento de igualdade para a classe? Eu nunca recebi, mas não é muito difícil entender como funciona o Time’s Up, qual é o benefício dele e como ele ajuda as pessoas. Plástico, você usa? Entende os malefícios dele para a natureza? Passe 5 minutos nas redes sociais de Caitriona e saberá disso e muito mais, porque é uma pessoa que escolheu apoiar o que acredita publicamente.

Inteligência

Já que fora acusada de não ser jornalista, vamos a algumas curiosidades: parece que estamos falando aqui de uma pessoa de vários talentos! Recentemente, uma entrevista fora dada a Cait sobre um livro – sim, ela era a entrevistadora. Suas perguntas para o autor eram extremamente profundas e interessantes. Ela também já havia escrito um artigo no NY Times. A pergunta que fica é: por que tais coisas não podem ser celebradas? Por que estão gerando incômodo? Se você não gosta das ações de uma pessoa pública, da forma como ela se expressa, da forma como ela pensa, o que ela faz, como ela faz, por que continuar seguindo? Para quê acompanhar? De que adianta acompanhar os passos de alguém que você não respeita, só diverge e não tem as mesmas convicções?

Caso você não tenha lido a entrevista que Caitriona realizou com o autor Paul Lynch clique aqui.

E também pode conferir o artigo no New York Times aqui.

Culpabilização da mulher

Chegamos ao ponto crucial e eu particularmente acho o mais preocupante. Esse está arraigado de forma tão intrínseca que muita gente nem percebe: a mulher é sempre a culpada!

Quem nunca ouviu que fulana roubou o marido de sicrana, que se o homem fez, a mulher mereceu, se aconteceu determinada coisa, foi a mulher que procurou? Acontece todos os dias, em várias situações, em muitos momentos e aqui isso não é muito diferente. Caitriona já sofreu vários ataques pelo simples fato de ser mulher. Tá assustado(a)? Acha exagero? Então vamos a mais um informativo:

Ela já sofreu ataque pelo simples fato de ser par romântico de seu co-star, desejo de muitas – e muitos. Já foi xingada por não ser considerada mulher o bastante para Sam, recebeu ameaças de morte (não é piada) quando seu “noivado” fora estranhamente anunciado. Você não leu errado, antes diziam que ela não era boa o suficiente, depois, que havia “quebrado o coração dele”.  Se Sam e Caitriona fizerem algo que desagrade alguém, É A ELA que os xingamentos serão direcionados, ela será a culpada, ela que “fez o errado”, que “cavou sua própria cova”.

Recentemente, sua conta do Wikipédia teve informações (no plural) alteradas propositalmente, apenas por alterar. Se era pra ser considerado brincadeira, fora de muito mal gosto! A lista dos motivos pelos quais acham justificáveis os xingamentos são, principalmente: a forma como ela se comporta, a forma como se expressa, a forma como ela é, e, obviamente, por Sam Heughan.

É aí que entendemos como se dá o sexismo. Ele está em todos os lugares, disfarçados de achismos e moldes sociais do que se deve ou não ser.

Isso não é sobre denominações. No final das contas, não importa se você é shipper, é anti, é neutro(a), indeciso(a) ou tá aqui esporadicamente, só pela série. Isso não é sobre acreditar ou não no noivado, acreditar ou não em relacionamentos, é sobre propriedade, falta de respeito e amor ao próximo.  

É muito fácil achar que alguém te pertence só porque você gosta, ama – ou acha que ama – essa pessoa. Mas pessoas não são objetos. Elas são capazes de decidir suas vidas. Queremos que ajam em conformidade com o que NÓS achamos certo, mas todos sabemos que não é bem assim que a vida funciona. Precisamos entender que a forma como nos expressamos pode sim tirar a paz do outro e que demonstrar ódio gratuito não faz bem a ninguém.

Quanto à Cait, entenda que ela é MARAVILHOSAMENTE HUMANA. Isso significa que ela te trará momentos de muita alegria, mas também vai errar e a vida tem dessas coisas.

A critica pela critica não ajuda o crescimento de ninguém, então, questione-se: esse comentário é realmente necessário?

Você não precisa marcá-la para dizer o quanto odiou seu corte de cabelo, o quanto condena a escolha de seu vestido ou o quanto o seu gosto não combina com a escolha dela de acessórios. Ninguém precisa de tamanha negatividade!

No final do dia, ela ainda será Caitriona Balfe, essa pessoa com inúmeras qualidades e defeitos. Ela ainda será o ser humano incrível que faz piada, sente ciúmes, dá “feliz aniversário” ao invés de “boas bodas”, não sabe como colocar acento no próprio nome e marca pessoas erradas nas redes, dando susto no fandom – Colin que o diga!

No final, ela ainda será Caitriona, irritada com Trump ou com mosquitos, aquela que faz “bullying” com Sam, que curte matérias com humor ácido e a pior motorista da Califórnia só porque achou que A INSTITUIÇÃO SE IMPORTAVA. Ela ainda será  a mulher inteligente, de opiniões fortes, cheia de personalidade e sensibilidade que escolhemos amar.

Mas caso sinta-se desconfortável com suas colocações e/ou se elas geram em você sentimentos ruins por algum motivo desconhecido, um distanciamento pode fazer bem. Não é demérito algum afastar-se do que tira sua paz.

Ahhh, sobre comentários odiosos na internet, meus queridos, vamos repensar. Tá com raiva? Vá a uma aula de boxe, desconta no saco de areia, grita no travesseiro, come um brigadeiro, bebe uma caipirinha, faz uma terapia. Muito melhor do que tornar a vida do outro um inferno. E, caso vejam esse tipo de coisa, denunciem à rede sem medo, tá bom?!

É isso, beijos, mãe ama vocês!

#PayMyTherapy

#PayMyCaipirinha

#AMeninaDePatins

Para ler este post em inglês, clique aqui.

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Autora: Laís Monteiro
Organizadora: Laís
Mídias: Emily, Capitu, Laís
Formatação: Thaís e Alexandra
Revisora (português): Thaís e Manu
Tradutora: Lotti e Queen Victoria
Revisora (inglês): Bianca
Montagem: Alexandra
SM: Alexandra

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