Olá, SISters!

Enfim chegamos a setembro! Depois de um agosto turbulento, superamos o trauma de igrejas e até já iniciamos a contagem regressiva para os filmes de Caitriona Balfe e Sam Heughan, além, é claro, do fim da Droughtlander, em fevereiro de 2020. Mas nem tudo é motivo pra comemoração e brincadeiras.

Se você é familiarizada com fandoms, sabe o que eles têm de melhor, como as amizades construídas e trocas de informações, e também o pior, como divisões e bullying (em situações mais extremas). É sobre isso que a gente quer falar.

Fandom bullying é o nome dado a atitudes recorrentes de intimidação, agressão ou ridicularização entre membros de uma comunidade de fãs. Quando falamos de séries e filmes, é comum vermos também atores e até pessoas da produção envolvidas, seja praticando ou sofrendo essas ações. Com o fandom de Outlander não é diferente.

Há vários motivos que podem explicar esse tipo de comportamento, mas o mais comum talvez seja a dificuldade em lidar com personalidades e pensamentos diferentes. As ofensas e intimidações, nesse caso, são formas de silenciar uma pessoa ou grupo que desagrada. E aqui é importante diferenciar crítica de ofensa, assim como discordar de ser intolerante.

Sim, porque em qualquer comunidade com milhares de pessoas sempre vão existir inúmeros pontos de vista, crenças e preferências. Você não precisa concordar com tudo e não há problema em manifestar isso. Contanto que respeite quem discorda de você. Se uma divergência vira motivo para ameaçar, perseguir, incitar ódio e até mentir sobre alguém, então é preciso parar e pensar.

Por que algo que desagrada ou contraria desperta reações tão fortes? Qual a dificuldade de simplesmente ignorar? O que tem no outro (muitas vezes um desconhecido) capaz de consumir tanto da sua energia? Vale a pena? 

Não é apenas a vítima de bullying que precisa de apoio, quem pratica também deve procurar ajuda. Mas, para isso, precisa reconhecer que precisa dessa ajuda.

Shippers e criadores de conteúdo, principalmente de fanfics, costumam ser o principal alvo de ataques. Isso não significa que não possam estar do outro lado, mas a frequência com que passam por isso levou à criação de uma campanha chamada Ships Alliance. Lançada em julho, essa iniciativa teve como objetivo arrecadar dinheiro com a venda de camisetas para apoiar instituições de combate ao bullying.

A ideia partiu do ator Sachin Sahel, o Eric Jackson de The 100. Depois de anos fazendo parte de um fandom e acompanhando as discussões entre shippers e não shippers do casal principal, ele resolveu levantar essa bandeira, que foi apoiada por outros artistas.

Segundo Sachin, a ideia era criar um espaço seguro para que as pessoas “pudessem amar aquilo que amam e deixar os outros fazerem o mesmo”, resgatando a diversão e o respeito dentro desses grupos, que deveriam servir sempre para isso: lazer e descontração.

Ele mesmo admite que via shippers com certo preconceito inicialmente, por conta de uma parcela que atacava os atores e pessoas próximas a eles. Até perceber que esse não era um problema restrito a um grupo e que era possível “shippar” de forma saudável, sem agressões. Assim como quem admira e torce por duas pessoas não merece ser atacado ou insultado por isso.

Quando se gosta muito de algo, é natural se envolver e até se irritar com um comentário ou decisão que pareça equivocada. Mas, primeiro, é importante perceber que o que não parece certo para você, não necessariamente é algo errado ou feito sem razão. Principalmente quando se trata de escolhas pessoais. E, segundo, que há maneiras e maneiras de expressar uma insatisfação, por mais legítima que ela seja.

Agressões verbais não são meras opiniões, muito menos críticas construtivas. Ir no perfil de alguém para intimidar, zombar ou criar intrigas não é exercer sua liberdade de expressão. Sugerir a demissão de um profissional porque você não gostou da roupa de um ator ou atriz, como aconteceu recentemente no Instagram de Dora, após o segundo dia do Festival de Toronto, não é uma “dica de amigo”. É ego, imaturidade, falta de empatia. Dependendo do caso, essas atitudes podem configurar até crime.

Palavras têm poder. E consequências. 

É fácil esquecer disso num momento de irritação, especialmente na Internet, quando você não vê o outro. A possibilidade de usar perfis fakes ou mensagens anônimas para atacar uma pessoa (famosa ou não) também encoraja esse tipo de ação. De repente, é como se ninguém fosse responsável pelo que diz, mas isso não muda o impacto do que é dito ou o fato de que as palavras permanecem, ecoam, mesmo depois de passada a raiva.

A OMS divulgou um novo relatório esta terça (10), no Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mostrando que essa é a segunda maior causa de morte entre a faixa etária de 15 a 24 anos, justamente a que passa mais tempo online. Ansiedade e distorção da realidade são alguns dos problemas diagnosticados com mais frequência e que podem ser gatilhos para atitudes mais drásticas, como o próprio suicídio.

Por isso, nesse Setembro Amarelo, o SIS faz um pedido: se você tem a opção de espalhar amor ou negatividade, escolha o primeiro. Se pode tornar a experiência no fandom mais leve para você e para as pessoas ao seu redor, faça isso. E cuide da sua saúde mental. O mundo já anda bem pesado, mas nossas escolhas podem aumentar ou diminuir esse peso.

#PayMyTherapy

#PayMyCaipirinha

#Harry&Dora

#FandomBullying

Para ler este post em inglês, clique aqui.

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Autora:  Camila Miranda

Colaboradora: Beatriz Labruna

Mídias: Catarina Balfe

Artes & Memes: Catarina Balfe

Formatação (texto): Thaís Belluzzo

Revisão (português): Thaís Belluzzo

Tradução: Bianca Cuglovici

Revisão (inglês): Bianca Portela

Montagem: Carolina Ramires

SM: Carolina Ramires

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